08 ago

Esclerose múltipla: como a fadiga pode afetar a autonomia no dia a dia?

A fadiga é um dos sintomas mais comuns da esclerose múltipla, mas muitas vezes é difícil para quem está de fora compreender o impacto que ela pode ter na rotina.

Não se trata apenas de estar cansado depois de um dia intenso.

Na esclerose múltipla, a fadiga pode envolver uma sensação persistente de esgotamento físico ou mental, muitas vezes desproporcional ao esforço realizado e que nem sempre melhora completamente com o descanso.

Um estudo publicado em agosto de 2026 na Frontiers in Neurology analisou a relação entre a intensidade da fadiga e a capacidade funcional de pessoas com esclerose múltipla. Os resultados reforçam que esse sintoma merece atenção durante o acompanhamento neurológico.

 

Fadiga é frequente na esclerose múltipla

O estudo avaliou 78 adultos diagnosticados com esclerose múltipla, acompanhados em um serviço especializado de neurologia no Egito.

A intensidade da fadiga foi avaliada por meio de uma escala específica.

Entre os participantes:

  • 46,1% apresentaram fadiga grave;
  • 52,6% apresentaram fadiga moderada;
  • apenas 1,3% apresentaram fadiga leve.

Isso significa que, nessa amostra específica, praticamente todos os participantes apresentavam fadiga de intensidade moderada ou grave.

É importante lembrar que esses percentuais pertencem ao grupo estudado e não significam que todas as pessoas com esclerose múltipla terão o mesmo grau de fadiga.

 

O impacto pode aparecer nas atividades mais comuns do cotidiano

Os pesquisadores também avaliaram a capacidade dos participantes para realizar atividades instrumentais da vida diária.

Esse conceito engloba tarefas necessárias para manter independência e organização na rotina, como administrar medicamentos, realizar compras, preparar refeições, organizar compromissos e executar outras atividades do cotidiano.

O estudo encontrou uma associação entre maior intensidade da fadiga e maior dependência nessas atividades.

Na prática, isso ajuda a entender por que a fadiga relacionada à esclerose múltipla pode interferir em tarefas que, aparentemente, exigiriam pouco esforço.

 

Caminhar também pode se tornar mais difícil

Outro aspecto analisado foi a capacidade de marcha.

Os resultados mostraram associação entre maior comprometimento da caminhada e maior intensidade da fadiga.

Mesmo depois de os pesquisadores ajustarem a análise para outros fatores que poderiam influenciar os resultados, o comprometimento da marcha permaneceu associado à maior fadiga.

Isso não permite afirmar que a fadiga tenha causado a dificuldade para caminhar — ou o contrário.

Como o estudo foi transversal, ele observou essas características em determinado momento. Portanto, mostra uma relação entre os fatores, mas não estabelece uma relação direta de causa e efeito.

 

Fadiga não é simplesmente fraqueza muscular

Esse é um ponto importante.

Fadiga e fraqueza muscular não são necessariamente a mesma coisa.

Uma pessoa pode apresentar força muscular relativamente preservada e, ainda assim, sentir grande dificuldade para sustentar determinada atividade ao longo do tempo.

Na esclerose múltipla, a fadiga pode envolver diferentes componentes físicos e cognitivos e sofrer influência de diversos fatores.

Por isso, um relato como “não consigo mais fazer as coisas como antes” não deve ser automaticamente interpretado como falta de disposição.

 

Por que avaliar a fadiga durante o acompanhamento?

A própria pesquisa ressalta que identificar a fadiga pode ajudar os profissionais de saúde a reconhecer pacientes com maior risco de limitações funcionais.

A avaliação pode envolver não apenas a intensidade do cansaço, mas também seu impacto sobre:

mobilidade, atividades cotidianas, participação social, independência e qualidade de vida.

Esse olhar é importante porque duas pessoas com esclerose múltipla podem apresentar experiências muito diferentes, mesmo quando possuem diagnósticos semelhantes.

 

O estudo tem limitações

Os resultados precisam ser interpretados dentro do contexto da pesquisa.

O estudo envolveu 78 pacientes de um único centro especializado no Egito, utilizou uma amostra selecionada e teve desenho transversal.

Além disso, os participantes estavam clinicamente estáveis e pessoas com algumas outras condições capazes de interferir na fadiga ou mobilidade foram excluídas.

Portanto, os resultados ajudam a compreender a relação entre fadiga e funcionamento diário, mas não devem ser generalizados automaticamente para todas as pessoas com esclerose múltipla.

 

Quando a fadiga começa a interferir na rotina, vale investigar

Se o cansaço passou a dificultar atividades que antes eram realizadas normalmente, compromete a caminhada ou interfere de maneira importante na independência, essa informação deve fazer parte da avaliação clínica.

Na esclerose múltipla, compreender os sintomas além das manifestações mais visíveis pode contribuir para um acompanhamento mais individualizado.

 

📍 Clínica de Neurologia e Distúrbios do Sono de Maringá

A avaliação neurológica considera os sintomas, a história clínica e o impacto funcional da doença para orientar o acompanhamento de maneira individualizada.

Agende sua avaliação com o neurologista Dr. Robson Dal Bem Pires.

📚 Referência