15 ago

Vertigem em crianças: causas e características clínicas

Quando uma criança diz que “tudo está girando”, demonstra dificuldade para se equilibrar ou passa a caminhar de forma insegura, é natural que os pais se preocupem.

A vertigem em crianças pode ter diferentes causas, e a idade é um dos fatores importantes para ajudar a entender o que pode estar acontecendo.

Um estudo publicado em agosto de 2026 na Frontiers in Neurology analisou centenas de crianças e adolescentes atendidos por alterações do equilíbrio e mostrou que as características e as possíveis causas da vertigem podem variar conforme a faixa etária.

 

Vertigem em criança não é uma doença única

A vertigem é um sintoma.

Ela costuma ser descrita como sensação de giro, movimento ou desequilíbrio, mesmo quando a pessoa está parada.

Em crianças, esse sintoma pode aparecer de maneiras diferentes. Algumas conseguem explicar claramente o que estão sentindo. Outras podem apenas demonstrar:

  • dificuldade para caminhar;
  • instabilidade;
  • náuseas;
  • vômitos;
  • medo de ficar em pé;
  • necessidade de segurar em objetos;
  • comportamento diferente do habitual.

Por isso, a observação dos pais e responsáveis pode ser muito importante durante a avaliação.

 

O estudo avaliou mais de 700 crianças e adolescentes

A pesquisa analisou 723 pacientes entre 0 e 18 anos atendidos por distúrbios do equilíbrio.

Entre eles, 132 apresentaram síndrome vestibular aguda, um quadro caracterizado pelo aparecimento relativamente súbito de sintomas vestibulares importantes, como vertigem, desequilíbrio e alterações na marcha.

Os pesquisadores observaram que as causas variavam conforme a idade.

 

A idade pode ajudar a orientar a investigação

Nas crianças menores, especialmente entre 0 e 5 anos, foram mais frequentes causas relacionadas ao sistema nervoso central.

Já entre adolescentes, as causas vestibulares periféricas apareceram com maior frequência.

Esse dado é importante porque mostra que a mesma queixa de vertigem pode ter origens diferentes dependendo da idade da criança.

Por isso, não é adequado interpretar todos os episódios de tontura infantil da mesma forma.

 

Quais causas apareceram com mais frequência?

Entre as crianças com síndrome vestibular aguda, algumas das causas mais observadas foram:

cerebelite aguda pós-infecciosa,
neurite vestibular e
vertigem pós-traumática.

A cerebelite aguda pós-infecciosa envolve uma inflamação do cerebelo que pode ocorrer após determinadas infecções e provocar alterações importantes no equilíbrio e na coordenação.

A neurite vestibular afeta estruturas relacionadas ao equilíbrio e pode causar vertigem intensa de início súbito.

Já a vertigem pós-traumática pode surgir após impactos ou lesões na cabeça.

Essas são apenas algumas possibilidades. A investigação precisa considerar todo o contexto clínico.

 

Nem toda vertigem infantil é “labirintite”

O termo “labirintite” é frequentemente utilizado de maneira genérica para descrever qualquer tontura ou vertigem.

Mas, em crianças, esse tipo de simplificação pode esconder causas bastante diferentes.

A origem pode estar relacionada ao sistema vestibular periférico, ao sistema nervoso central, a traumatismos ou a outras condições que precisam ser diferenciadas durante a avaliação.

Por isso, a história clínica e o exame neurológico são fundamentais.

 

Quais sinais merecem atenção?

A vertigem deve ser avaliada principalmente quando aparece acompanhada de outros sintomas, como:

  • dificuldade importante para caminhar;
  • queda frequente;
  • perda de coordenação;
  • vômitos persistentes;
  • dor de cabeça intensa;
  • alteração da fala;
  • fraqueza;
  • alteração do comportamento;
  • sintomas após trauma;
  • piora progressiva.

Esses sinais não significam necessariamente uma doença grave, mas ajudam a indicar quando a investigação precisa ser mais detalhada.

 

O estudo também tem limitações

A pesquisa foi realizada de forma retrospectiva em um único hospital pediátrico especializado.

Isso significa que os pacientes atendidos nesse ambiente podem apresentar quadros diferentes daqueles encontrados na população geral.

Portanto, os percentuais identificados pelo estudo não devem ser interpretados como a frequência de cada causa em todas as crianças com vertigem.

O principal valor do trabalho está em mostrar que a idade, o padrão dos sintomas e as características clínicas podem ajudar a direcionar a investigação.

 

Avaliar a causa é mais importante do que apenas tratar o sintoma

Quando uma criança apresenta vertigem, o objetivo da avaliação não é apenas aliviar a tontura.

É importante compreender:

quando o sintoma começou, quanto tempo dura, se há fatores desencadeantes, se existe dificuldade para caminhar e se há outros sinais neurológicos associados.

Essas informações ajudam a diferenciar as possíveis causas e orientar a necessidade de exames ou acompanhamento.

📍 Na Clínica de Neurologia e Distúrbios do Sono de Maringá, a avaliação neurológica considera a idade da criança, a história dos sintomas, o exame clínico e os possíveis sinais associados para orientar a investigação de maneira individualizada.

Agende uma avaliação com o neurologista Dr. Robson Dal Bem Pires.

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