31 ago

Zumbido e sono: como um problema pode intensificar o outro?

O zumbido pode ser percebido como um chiado, apito, pressão ou outro som que surge sem uma fonte externa evidente.

Para algumas pessoas, ele aparece de forma discreta. Para outras, pode se tornar especialmente incômodo à noite, justamente quando o ambiente fica mais silencioso.

Uma revisão publicada na Frontiers in Neurology em agosto de 2026 analisou a relação entre zumbido e alterações do sono e destacou um ponto importante: os dois problemas podem se influenciar mutuamente.

 

Zumbido pode dificultar o sono

Quando o ambiente fica silencioso, a percepção do zumbido pode se tornar mais evidente.

Isso pode dificultar:

  • pegar no sono;
  • manter o sono ao longo da noite;
  • voltar a dormir após despertar;
  • alcançar uma sensação de descanso reparador.

Em algumas pessoas, o próprio incômodo provocado pelo zumbido também pode aumentar a atenção direcionada ao sintoma e dificultar o relaxamento necessário para dormir.

 

E dormir mal também pode aumentar o incômodo do zumbido

A relação não parece acontecer em apenas uma direção.

A revisão destaca que alterações do sono também podem estar associadas a maior percepção e maior desconforto relacionado ao zumbido.

Na prática, pode se formar um ciclo:

zumbido mais perceptível → dificuldade para dormir → sono pior → maior sensibilidade ao zumbido → mais dificuldade para dormir.

Isso ajuda a explicar por que algumas pessoas relatam piora do incômodo depois de noites mal dormidas.

 

Por que o cérebro pode estar envolvido nessa relação?

Zumbido e sono envolvem diferentes redes do sistema nervoso.

Os autores discutem possíveis mecanismos compartilhados relacionados à atividade cerebral, atenção, resposta emocional, estresse e processamento dos estímulos sonoros.

Isso não significa que exista uma única causa responsável pelos dois problemas.

A relação é complexa e provavelmente envolve diversos fatores, que podem variar de uma pessoa para outra.

 

Alterações do sono são frequentes em pessoas com zumbido

A revisão reúne estudos que encontraram alterações do sono em uma parcela relevante das pessoas com zumbido incômodo.

Os percentuais variaram bastante entre as pesquisas, aproximadamente de 25% a 77%, dependendo da população estudada, dos critérios utilizados e da forma de avaliação.

Por isso, esses números não devem ser interpretados como uma prevalência única para todas as pessoas com zumbido.

O principal achado é que problemas de sono aparecem com frequência nesse grupo e merecem ser investigados quando estão presentes.

 

Nem todo zumbido tem a mesma origem

O zumbido é um sintoma e pode estar associado a diferentes condições.

Sua avaliação pode considerar fatores auditivos, neurológicos, metabólicos, medicamentosos e emocionais, entre outros.

Da mesma forma, dificuldades para dormir podem ter diferentes causas.

Por isso, quando zumbido e sono ruim aparecem juntos, tratar apenas um dos sintomas nem sempre é suficiente.

 

Quando procurar avaliação?

A investigação é especialmente importante quando o zumbido:

  • surge de forma persistente;
  • interfere no sono;
  • prejudica concentração ou qualidade de vida;
  • aparece acompanhado de perda auditiva;
  • ocorre apenas de um lado;
  • apresenta característica pulsátil;
  • ou vem acompanhado de outros sintomas neurológicos.

O objetivo da avaliação é compreender o contexto clínico e identificar quais fatores podem estar contribuindo para o quadro.

 

Avaliar sono e zumbido de forma integrada pode fazer diferença

Quando há dificuldade para dormir associada ao zumbido, compreender como os dois sintomas interagem pode ajudar a direcionar melhor o acompanhamento.

A abordagem pode envolver avaliação do sono, investigação neurológica e, quando necessário, participação de outras especialidades.

 

📍 Clínica de Neurologia e Distúrbios do Sono de Maringá

A avaliação integra neurologia e medicina do sono para investigar sintomas, compreender possíveis causas e orientar o cuidado de maneira individualizada.

📚 Referência