23 ago

Parkinson ou tremor essencial? Entenda por que diferenciar os dois pode exigir avaliação neurológica

Perceber um tremor nas mãos costuma gerar uma preocupação imediata: será Parkinson?

Mas tremor não é sinônimo de doença de Parkinson.

Existem diferentes condições capazes de provocar esse sintoma, e uma das mais comuns é o tremor essencial. Em alguns casos, especialmente nas fases iniciais, diferenciar essas duas condições pode exigir uma avaliação neurológica detalhada.

Um estudo publicado em agosto de 2026 na Frontiers in Neurology investigou justamente essa dificuldade diagnóstica, avaliando se a sonografia transcraniana multiparamétrica poderia ajudar a distinguir doença de Parkinson de tremor essencial.

 

Parkinson e tremor essencial podem se parecer no início

A doença de Parkinson costuma ser associada ao tremor de repouso, além de outros sintomas motores, como lentidão dos movimentos e rigidez.

Já o tremor essencial aparece tipicamente durante a manutenção de uma postura ou durante a realização de movimentos e costuma afetar principalmente os membros superiores, podendo também envolver cabeça ou voz.

Apesar dessas diferenças, os autores destacam que as manifestações clínicas podem se sobrepor, principalmente nas fases iniciais.

Por isso, observar apenas a presença de tremor nem sempre é suficiente para definir o diagnóstico.

Nem todo tremor de mão significa Parkinson

Esse é um ponto especialmente importante para pacientes e familiares.

A presença de tremor deve ser analisada junto a várias outras características, como:

  • se ocorre em repouso ou durante movimentos;
  • se começou de um lado ou dos dois lados do corpo;
  • presença de lentidão dos movimentos;
  • rigidez muscular;
  • alterações da marcha ou do equilíbrio;
  • evolução dos sintomas ao longo do tempo.

Essas informações ajudam o neurologista a compreender qual tipo de tremor está presente e quais hipóteses precisam ser investigadas.

O estudo buscou uma ferramenta complementar para o diagnóstico

A pesquisa incluiu 80 pacientes com doença de Parkinson e 23 com tremor essencial.

Todos passaram por avaliação clínica e por um exame chamado sonografia transcraniana, técnica de ultrassom capaz de avaliar determinadas estruturas cerebrais através de regiões específicas do crânio.

Os pesquisadores analisaram diferentes parâmetros, incluindo alterações relacionadas à substância negra, região cerebral frequentemente estudada na doença de Parkinson, além da largura do terceiro ventrículo e outras estruturas.

Combinar diferentes achados melhorou a diferenciação

Os pesquisadores observaram diferenças entre os grupos em alguns parâmetros da sonografia.

Quando combinaram a área de hiperecogenicidade da substância negra com a largura do terceiro ventrículo, o modelo apresentou desempenho melhor do que quando cada parâmetro foi considerado isoladamente.

O modelo combinado alcançou sensibilidade de aproximadamente 75% e especificidade de 82,6% no ponto de corte utilizado pelos pesquisadores.

Em termos simples, o estudo sugere que analisar vários achados em conjunto pode contribuir para diferenciar Parkinson de tremor essencial.

Mas o exame não substitui a avaliação do neurologista

Esse talvez seja o ponto mais importante do estudo para quem está preocupado com um tremor.

Os próprios autores classificam o modelo como exploratório.

Embora os resultados tenham sido promissores, a pesquisa envolveu um número relativamente pequeno de participantes — principalmente no grupo com tremor essencial — e o método ainda precisa ser validado em estudos maiores, multicêntricos e prospectivos antes de ser incorporado rotineiramente à prática clínica.

Portanto, a sonografia transcraniana pode representar uma ferramenta complementar, mas não determina sozinha se uma pessoa tem Parkinson ou tremor essencial.

O diagnóstico continua sendo principalmente clínico

Atualmente, a diferenciação entre doença de Parkinson e tremor essencial continua baseada principalmente na história clínica e no exame neurológico.

O médico observa não apenas o tremor, mas também outros sinais motores, a evolução dos sintomas e a forma como eles interferem nas atividades do paciente.

Dependendo do caso, exames complementares podem ser solicitados para auxiliar na investigação ou afastar outras possibilidades.

 

Por que diferenciar Parkinson de tremor essencial é importante?

Embora ambas as condições possam provocar tremor, elas possuem características, evolução e abordagens terapêuticas diferentes.

Um diagnóstico equivocado pode levar a tratamentos inadequados e aumentar a ansiedade do paciente.

Identificar corretamente a causa permite orientar melhor:

o acompanhamento, o tratamento, a necessidade de exames complementares e as expectativas sobre a evolução dos sintomas.

Apresentou tremor? Evite o autodiagnóstico

É comum observar um tremor e imediatamente associá-lo à doença de Parkinson.

Mas existem várias causas possíveis para esse sintoma.

A avaliação neurológica ajuda a responder questões importantes:

  • O tremor acontece em repouso ou durante movimentos?
  • Existem outros sinais associados?
  • O quadro pode representar tremor essencial, Parkinson ou outra condição?
  • Há necessidade de exames complementares?

Essas respostas dependem da análise individual de cada paciente.

📍Clínica de Neurologia e Distúrbios do Sono de Maringá

A avaliação neurológica considera as características do tremor, os sintomas associados, a história clínica e a evolução do quadro para orientar a investigação de maneira individualizada.

Apresentou tremor nas mãos ou em outra parte do corpo? Agende uma avaliação com o neurologista Dr. Robson Dal Bem Pires para investigar a causa e orientar os próximos passos.

📚 Referência