11 nov

🧠 Autismo e TDAH: o que a ciência está descobrindo sobre o cérebro

 

🌱 Introdução: quando diagnósticos diferentes compartilham o mesmo cérebro

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) são tradicionalmente tratados como condições distintas, com critérios diagnósticos próprios e abordagens específicas.
No entanto, avanços recentes da neurociência têm mostrado que essas duas condições podem compartilhar bases neurológicas e genéticas semelhantes.

Essa nova compreensão ajuda a explicar por que muitas crianças, adolescentes e até adultos apresentam sintomas sobrepostos, como dificuldades de atenção, impulsividade, alterações comportamentais e desafios na regulação emocional.
Cada vez mais, o neurodesenvolvimento vem sendo compreendido como um espectro, e não como compartimentos isolados.


 

🔬 O que a ciência tem descoberto sobre Autismo e TDAH

Estudos internacionais recentes, baseados em neuroimagem funcional e genética, identificaram padrões semelhantes de conectividade cerebral em pessoas com autismo e TDAH.
Esses padrões envolvem redes cerebrais responsáveis por funções como:

  • atenção e controle inibitório;

  • processamento sensorial;

  • regulação emocional;

  • planejamento e comportamento social.

Além disso, pesquisas genéticas apontam que alguns genes associados ao desenvolvimento neural estão presentes em ambas as condições, reforçando a ideia de uma base biológica parcialmente compartilhada.

Essas descobertas não significam que autismo e TDAH sejam a mesma condição, mas indicam que eles podem ter pontos de interseção importantes, tanto do ponto de vista neurológico quanto clínico.

 

🧠 O cérebro em desenvolvimento e a ideia de espectro

Durante a infância e a adolescência, o cérebro passa por intensos processos de maturação, especialmente nas áreas responsáveis por atenção, comportamento e interação social.
Quando esse desenvolvimento ocorre de forma atípica, podem surgir manifestações variadas — que nem sempre se encaixam perfeitamente em um único diagnóstico.

Por isso, algumas crianças podem apresentar:

  • características do espectro autista associadas a sintomas de desatenção;

  • comportamentos impulsivos com dificuldades sociais;

  • alterações sensoriais acompanhadas de hiperatividade.

A visão atual da neurologia reconhece que o neurodesenvolvimento é contínuo e multifatorial, influenciado por genética, ambiente, sono, estímulos e experiências precoces.

 

🧩 Implicações clínicas: por que isso muda a forma de avaliar e tratar

Compreender que autismo e TDAH podem compartilhar mecanismos cerebrais traz impactos importantes para a prática clínica.
Isso reforça a necessidade de uma avaliação neurológica cuidadosa e individualizada, que vá além de rótulos diagnósticos.

Na prática, isso significa:

  • investigar o funcionamento global do cérebro, e não apenas sintomas isolados;

  • considerar comorbidades e sobreposições clínicas;

  • adaptar intervenções de forma personalizada;

  • integrar aspectos cognitivos, comportamentais, emocionais e do sono.

O sono, inclusive, exerce papel fundamental no neurodesenvolvimento, na atenção e na regulação emocional, sendo um fator frequentemente negligenciado nas avaliações iniciais.

 

🧠 Conclusão

As descobertas recentes da neurociência mostram que autismo e TDAH podem compartilhar padrões de conectividade cerebral e fatores genéticos relacionados ao desenvolvimento neural.
Essa compreensão ajuda a explicar a sobreposição de sintomas e reforça que o neurodesenvolvimento deve ser entendido como um espectro, e não como categorias rígidas.

Reconhecer essas interseções permite diagnósticos mais precisos, abordagens terapêuticas mais eficazes e um cuidado mais humano e individualizado, respeitando as singularidades de cada paciente.

 

💭 Reflexão Final

Compreender o funcionamento do cérebro é essencial para ir além dos rótulos diagnósticos.
Quando a neurologia passa a enxergar o neurodesenvolvimento como um espectro, abre-se espaço para avaliações mais empáticas, intervenções mais eficazes e melhores resultados na atenção, no comportamento, no aprendizado e no sono — especialmente na infância e na adolescência.

 

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📚 Referência

. Autism and ADHD share brain connectivity patterns and genetic architecture . Neuroscience News , .

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