Distúrbios do sono são frequentes em pessoas com ELA
A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é uma doença neurológica progressiva que afeta os neurônios motores e pode comprometer, ao longo do tempo, diferentes funções do organismo.
Além das alterações motoras mais conhecidas, o sono também merece atenção.
Uma revisão sistemática com meta-análise publicada na Frontiers in Neurology reuniu dados de 31 estudos envolvendo 2.762 pacientes com ELA e encontrou uma prevalência combinada de aproximadamente 50% de distúrbios do sono.
Em outras palavras, nos estudos analisados, cerca de 1 em cada 2 pacientes apresentou algum tipo de alteração relacionada ao sono.
Por que a ELA pode interferir no sono?
Segundo os autores, diferentes fatores podem contribuir para essas alterações.
A fraqueza da musculatura respiratória, as mudanças provocadas pela própria neurodegeneração e alterações na arquitetura do sono estão entre os mecanismos que podem estar envolvidos.
Isso significa que problemas durante o sono podem fazer parte do quadro clínico e não devem ser considerados apenas uma consequência secundária do desconforto ou das dificuldades motoras.
A idade também pode ter influência
A análise mostrou que os pacientes com distúrbios do sono eram, em média, aproximadamente 3,7 anos mais velhos do que aqueles sem essas alterações.
Por outro lado, os pesquisadores não encontraram associação estatisticamente significativa com sexo, índice de massa corporal, duração da doença ou local de início da ELA.
Nem todos os distúrbios do sono são identificados da mesma forma
Outro achado interessante foi a diferença conforme o método utilizado para avaliar o sono.
Estudos baseados em questionários apresentaram prevalência maior de alterações do sono do que aqueles que utilizaram polissonografia.
Esse resultado reforça que a avaliação do sono deve considerar tanto os sintomas relatados pelo paciente quanto, quando indicado, exames específicos.
Sono e ELA precisam ser avaliados de forma integrada
Os próprios autores defendem que o rastreamento de alterações do sono e sua identificação precoce devem receber maior atenção no acompanhamento clínico de pessoas com ELA.
Isso não significa que todas as pessoas com ELA terão um distúrbio do sono, nem que todos os problemas do sono estejam diretamente relacionados à doença.
A avaliação individual é fundamental para compreender sintomas como despertares frequentes, sono não reparador, sonolência durante o dia ou alterações respiratórias noturnas.
📍 Clínica de Neurologia e Distúrbios do Sono de Maringá
A avaliação integra neurologia e medicina do sono para investigar sintomas, compreender possíveis causas e orientar o cuidado de maneira individualizada.
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📚 Referência
- Frontiers in Neurology. Prevalence of and associated factors for sleep disorders in patients with amyotrophic lateral sclerosis: a systematic review and meta-analysis. Disponível em: https://www.frontiersin.org/journals/neurology/articles/10.3389/fneur.2026.1889217/abstract . Acesso em: agosto 2026.