Exercício Físico e Parkinson: como a atividade física pode contribuir para a saúde cerebral
Novas evidências ajudam a compreender como a comunicação entre músculos e cérebro pode participar dos benefícios do exercício na doença de Parkinson
A prática de exercícios físicos já é reconhecida como uma importante aliada no cuidado de pessoas com doença de Parkinson. Além de contribuir para mobilidade, equilíbrio, força e qualidade de vida, pesquisas recentes vêm investigando algo ainda mais profundo: como a atividade muscular pode desencadear mecanismos biológicos capazes de influenciar a saúde do cérebro.
Uma revisão científica recente reuniu evidências sobre exercício, saúde muscular e a chamada comunicação músculo-cérebro na doença de Parkinson. Os resultados ajudam a compreender por que manter o corpo ativo pode ter repercussões que vão além do condicionamento físico.
O que acontece no cérebro na doença de Parkinson?
A doença de Parkinson é uma condição neurológica progressiva relacionada, entre outros mecanismos, à perda de neurônios responsáveis pela produção de dopamina em determinadas regiões do cérebro.
A dopamina desempenha papel fundamental no controle dos movimentos. Por isso, sua redução está associada a manifestações características da doença, como lentidão dos movimentos, rigidez muscular, tremor e alterações do equilíbrio e da marcha.
Entretanto, o Parkinson não se limita aos sintomas motores. Alterações do sono, fadiga, mudanças de humor, comprometimento cognitivo e outros sintomas não motores também podem fazer parte do quadro.
O acompanhamento neurológico permite avaliar essas diferentes manifestações e estabelecer estratégias terapêuticas individualizadas.
O músculo também se comunica com o cérebro
Durante muito tempo, os músculos foram vistos principalmente como estruturas responsáveis pela força e pelo movimento. Hoje, sabe-se que o tecido muscular também possui importante atividade metabólica e participa da comunicação com diferentes órgãos.
Durante o exercício, o organismo produz e libera diversas moléculas sinalizadoras conhecidas como exercinas (exerkines).
Entre as substâncias estudadas estão fatores como BDNF, IGF-1, irisina e outras moléculas relacionadas a processos de plasticidade neural, metabolismo energético, funcionamento mitocondrial e controle da inflamação.
Esse mecanismo deu origem a um campo de pesquisa conhecido como comunicação músculo-cérebro.
Na doença de Parkinson, pesquisadores investigam se parte dos benefícios observados com o exercício pode estar relacionada justamente a essa comunicação.
Exercício pode proteger os neurônios?
Essa é uma das questões mais interessantes das pesquisas atuais.
Evidências experimentais indicam que mecanismos ativados pelo exercício podem estar associados à redução de processos inflamatórios e do estresse oxidativo, à melhora da função mitocondrial e à ativação de fatores relacionados à sobrevivência e à plasticidade neuronal.
Esses mecanismos despertam interesse porque os neurônios dopaminérgicos estão entre as células progressivamente afetadas pela doença de Parkinson.
No entanto, é importante fazer uma distinção: os estudos apontam mecanismos com potencial neuroprotetor, mas isso não significa que o exercício cure a doença ou interrompa definitivamente sua progressão.
A pesquisa continua avançando para compreender melhor quais mecanismos estão envolvidos e qual é a extensão desses efeitos em seres humanos.
Os benefícios do exercício vão além do cérebro
Independentemente dos mecanismos de neuroproteção ainda em investigação, os benefícios funcionais da atividade física são especialmente importantes para pessoas com Parkinson.
Programas adequadamente planejados podem contribuir para:
-
manutenção da força muscular;
-
melhora da mobilidade;
-
equilíbrio e estabilidade postural;
-
melhora da marcha;
-
manutenção da capacidade funcional;
-
redução do risco de quedas;
-
condicionamento cardiovascular;
-
autonomia nas atividades cotidianas;
-
bem-estar e qualidade de vida.
Diferentes modalidades podem ser utilizadas, incluindo exercícios aeróbicos, treinamento de força, atividades de equilíbrio, flexibilidade e programas que combinam diferentes tipos de exercício.
A escolha depende das condições clínicas, capacidade funcional e estágio da doença de cada pessoa.
Saúde muscular merece atenção no Parkinson
Outro ponto destacado pelas pesquisas é a importância da preservação da massa e da força muscular.
Pessoas com Parkinson podem apresentar maior risco de redução da força e da massa muscular ao longo do tempo. Quando essa perda se torna significativa, pode contribuir para fragilidade, dificuldades de mobilidade, maior risco de quedas e perda de independência.
Por isso, preservar a saúde muscular não deve ser considerado apenas uma questão de condicionamento físico.
Ela pode fazer parte de uma abordagem mais ampla de manutenção da funcionalidade e da qualidade de vida.
Então, quem tem Parkinson deve praticar exercícios?
Em muitos casos, a atividade física integra o cuidado da pessoa com doença de Parkinson. Entretanto, não existe um único programa de exercícios adequado para todos.
Idade, sintomas, equilíbrio, presença de quedas, limitações cardiovasculares, condições ortopédicas, medicamentos utilizados e estágio da doença precisam ser considerados.
O exercício também não substitui o tratamento neurológico.
A abordagem pode envolver neurologista e outros profissionais de saúde, como fisioterapeuta e profissional de educação física, de acordo com as necessidades individuais do paciente.
Corpo ativo, cérebro em movimento
As pesquisas sobre a comunicação entre músculos e cérebro ampliam nossa compreensão sobre o papel do exercício na saúde neurológica.
Na doença de Parkinson, manter-se fisicamente ativo pode contribuir não apenas para força e mobilidade, mas também ativar processos biológicos que hoje são investigados por seu possível papel na proteção e adaptação do sistema nervoso.
A ciência ainda busca compreender completamente esses mecanismos, mas uma mensagem já se mostra importante: cuidar da saúde muscular e preservar a capacidade de movimento fazem parte do cuidado integral da pessoa com Parkinson.
🩺 Quando procurar avaliação neurológica?
Tremores persistentes, lentidão dos movimentos, rigidez muscular, alterações da marcha, desequilíbrio ou outras mudanças progressivas na capacidade de realizar movimentos merecem avaliação médica.
Esses sintomas podem ter diferentes causas e não significam, isoladamente, que uma pessoa tenha doença de Parkinson.
A avaliação neurológica permite investigar a origem dos sintomas, estabelecer o diagnóstico adequado e, quando necessário, definir estratégias de acompanhamento e tratamento.
📍 Na Clínica de Neurologia e Distúrbios do Sono de Maringá, o acompanhamento neurológico da doença de Parkinson considera os sintomas, a evolução clínica e as necessidades de cada paciente, orientando estratégias que contribuam para preservar a funcionalidade, a autonomia e a qualidade de vida.
Agende sua avaliação com o neurologista Dr. Robson Dal Bem Pires.
📚 Referência
- Neuroscience News. Long Sleep Hours Link to Elevated Alzheimer’s Blood Protein. Disponível em: https://neurosciencenews.com/sleep-duration-p-tau181-alzheimers-31060/ . Acesso em: julho 2026.