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Esclerose múltipla: quando alterações visuais também afetam a saúde emocional

 

Enxergar também significa participar, trabalhar e manter autonomia

Alterações visuais podem fazer parte de diferentes doenças neurológicas, entre elas a esclerose múltipla e o transtorno do espectro da neuromielite óptica.

Mas o impacto de uma dificuldade visual não se resume ao que aparece em um exame.

Ela pode interferir na leitura, no trabalho, na locomoção, na independência e na participação social.

Um estudo multicêntrico publicado em 2026 na Frontiers in Neurology mostrou que essas consequências funcionais e psicossociais podem estar relacionadas à presença de sintomas depressivos.

 

👁️ O que os pesquisadores avaliaram?

O estudo envolveu 458 adultos:

  • 370 pessoas com esclerose múltipla;

  • 88 com transtorno do espectro da neuromielite óptica.

Os pesquisadores avaliaram:

  • função visual;

  • qualidade de vida relacionada à visão;

  • impacto da dificuldade visual sobre atividades cotidianas;

  • sintomas depressivos;

  • deficiência visual objetiva.

O objetivo era compreender se o impacto emocional estava relacionado apenas à perda visual medida clinicamente ou também à maneira como essa alteração interferia na vida cotidiana.

 

🧠 O impacto emocional foi além da perda visual objetiva

Um dos resultados mais importantes foi que uma pior qualidade de vida relacionada à visão esteve associada a uma maior carga de sintomas depressivos.

Já a classificação objetiva da deficiência visual, isoladamente, não apresentou a mesma força de associação após os ajustes estatísticos.

Isso sugere que não importa apenas quanto a pessoa enxerga, mas também como aquela alteração interfere em sua autonomia, rotina e participação social.

 

🚶‍♀️ Independência e participação social fazem diferença

Entre os aspectos avaliados estavam dificuldades relacionadas a:

  • atividades do cotidiano;

  • independência;

  • participação social;

  • execução de tarefas;

  • autonomia.

Uma alteração visual pode modificar a forma como a pessoa trabalha, estuda, dirige, lê, sai de casa ou participa de atividades sociais.

Por isso, o impacto de uma doença neurológica não pode ser analisado apenas por exames.

A experiência vivida pelo paciente também importa.

 

💭 Saúde emocional também faz parte do cuidado neurológico

Doenças neurológicas crônicas podem afetar diferentes dimensões da vida ao mesmo tempo.

Alterações visuais, fadiga, dificuldades cognitivas, limitações físicas e mudanças na autonomia podem repercutir também sobre o bem-estar emocional.

Nesse contexto, sintomas depressivos não devem ser tratados como algo completamente separado da condição neurológica.

Eles podem fazer parte de uma experiência clínica mais ampla e merecem atenção.

 

👁️ Esclerose múltipla e alterações visuais

A esclerose múltipla pode afetar estruturas envolvidas na visão.

Entre as possíveis manifestações estão:

  • visão borrada;

  • redução da acuidade visual;

  • alterações na percepção das cores;

  • dor ocular associada à movimentação dos olhos;

  • visão dupla;

  • redução da sensibilidade ao contraste.

A intensidade e a duração desses sintomas podem variar.

Nem toda alteração visual em uma pessoa com esclerose múltipla tem a mesma causa, por isso a avaliação individualizada é fundamental.

 

⚠️ Alterações visuais precisam ser investigadas

Perda visual súbita ou progressiva, visão dupla, dor ocular acompanhada de alteração da visão ou outras mudanças neurológicas merecem avaliação médica.

Em determinadas situações, esses sintomas podem estar relacionados à atividade de uma doença neurológica ou a outras condições que precisam ser investigadas.

 

🩷 Outubro Rosa e o cuidado integral da mulher

O Outubro Rosa chama a atenção para a saúde feminina e para a importância da prevenção e do acompanhamento médico.

Dentro dessa proposta, também é importante lembrar que a saúde da mulher envolve cérebro, visão, sono, cognição e saúde emocional.

A esclerose múltipla apresenta maior frequência entre mulheres, tornando relevante ampliar a discussão sobre como condições neurológicas podem afetar diferentes aspectos da vida feminina.

Cuidar da saúde significa olhar para a pessoa de forma integral.

 

🔎 O que precisamos considerar sobre o estudo?

O estudo foi transversal.

Isso significa que os pesquisadores identificaram associações em determinado momento, mas não podem concluir que a disfunção visual seja a causa dos sintomas depressivos.

Também não é possível determinar, a partir desse desenho de estudo, qual alteração ocorreu primeiro.

Os resultados reforçam a importância de considerar conjuntamente função visual, qualidade de vida, autonomia e saúde emocional.

 

🧠 Clínica de Neurologia e Distúrbios do Sono de Maringá

Uma doença neurológica pode afetar muito mais do que uma função específica.

Visão, autonomia, cognição, sono e saúde emocional podem estar interligados.

Reconhecer essas relações contribui para compreender o paciente de maneira mais ampla e direcionar o acompanhamento de acordo com suas necessidades.

 

Agende sua avaliação com o neurologista Dr. Robson Dal Bem Pires clicando no botão abaixo.

📚 Referência

  • ZHAO, Runze; ZHANG, Guoxun; WANG, Han; SUN, Xiaojia; LIU, Yu; LI, Chunyang; YANG, Xiao; GUO, Jia; MENG, Huaxing; YE, Xuelan; ZHONG, Di; WANG, Hongmei; HE, Yanru; SUN, Dongjie; ZHU, Jinting; GE, Lili; ZHOU, Qiwu; et al. Psychosocial consequences of visual dysfunction are associated with depressive symptom burden in multiple sclerosis and neuromyelitis optica spectrum disorder. Frontiers in Neurology, v. 17, 2026. DOI: 10.3389/fneur.2026.1975600 . Disponível em: Frontiers in Neurology . Acesso em: 30 out. 2026.